No início dos anos 90, cheguei à cidade de Suzano pela primeira vez. Mas vim de fato para conhecer uma grande família grande. O pai, a mãe e seis dos seus sete filhos. Um dos filhos, que já havia conhecido no interior de São Paulo, foi quem me levou aos demais.
Eles moravam numa casa no Jardim Revista, bairro da periferia desta cidade. Era uma casa grande e simples construída em um terreno acidentado e numa rua sem pavimentação. Do topo do morro, no Revista, era possível ver do lado de cá, na margem direita do Tietê, o “buracão”, uma área inundada da várzea e na outra margem à diante, o centro da cidade. Uma bela vista.A casa tinha as suas portas constantemente abertas, pelas quais passavam livremente os seus amigos e vizinhos.As crianças (moradoras ou não) brincavam na sala. A mãe, Dona Laura, eu vi preparando uma refeição, interrompida diversas vezes por amigos e vizinhos que chegavam. O pai, José, amistoso e gentil, entrava em casa, falava com quem lá estava e saía rapidamente. Tinha mil coisas a fazer.José Candido, era ele.
Militante do PT e vereador. O único a se opor ao modelo e ao poder constituído na cidade que mantinha suas mazelas há décadas para a manutenção do enriquecimento de poucos, de forma que o desejo da grande maioria excluída era sufocado.Seguiu como vereador por quase todo o tempo como a única voz a defendê-los, os sufocados.Assim como a grande maioria excluída era sufocada, tentavam sufocá-lo. Não abriu mão de sua posição.
José Candido manteve uma vida modesta e criou seus filhos com a mesma dignidade que qualquer outro trabalhador conseguiria com seus proventos. Lutava pela garantia de direitos às pessoas, na mesma medida em que essas garantias deveriam ser conquistadas para os seus próprios filhos. Não queria mais para os seus.
Ao contrário de tantas pessoas, ele colocou sua vida privada a serviço do público.
Esse jeito do Zé Candido de encarar a vida, de qual era o seu papel na sociedade me chamou muito a atenção e é certamente o que fez com que muitas pessoas o respeitassem e tantas outras o seguissem. Foi isso que observei, constatei e posso testemunhar como algo verdadeiro.
De lá para cá, seus frutos continuaram a semear o bem comum. Por isso Suzano avançou tanto com o Marcelo, sem fisiologismos, sem a sobreposição de interesses pessoais sobre os coletivos.
Hoje completam sete dias da morte de José Candido.Não podemos mais falar com ele, mas podemos visitar sua história e continuar a encontrar nela respostas sobre o que fazer.
No dicionário, cândido quer dizer: adj. 1 Alvo, imaculado. 2 fig. Puro, ingênuo, inocente. É assim que o vejo e o seu legado.19 de fevereiro de 2012, em Suzano/SP
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